terça-feira, 11 de agosto de 2015

Frases soltas



Lá venho eu de novo, achando que sou só eu aqui. Estou rodeado de gotas de chuva, de orvalho, de lágrimas. Puá. A triste certeza de um dedo em riste apontado para o espelho no qual reflito.
Abro a porta, corro. Minha mente torta faz-me voltar. E do ponto de partida de minha vida dou um oi. Foi a partir desse momento que decidi ir ao fundo do meu eu. A porta. A porta de novo. Toca a campainha. Mas ninguém em mim atende. Entende. Estou sem sim nem não. O passado pressente uma volta em revolta no presente que é agora. Mas arrisco com meu braço arisco comandar minha mão, que na contramão de meu destino discute consigo mesmo. Nenhum de nós está certo. O destino, este sim, é sempre certo. Lá vou de novo achar que sou um ovo. Chocado! Chorando. Dói sair da casca de mim. Minha casca, minha casa, minha casaca. Que coisa eu ser esse ser que não suporta o peso dos próprios sonhos.É!... Ninguém me tem. Um vintém que na real é somente uma moeda de centavos. Mas sentai-vos e escutais-me. Meus ais tocam notas musicais. Libertam-se da dor minha. Minha vida ali na esquina ainda. Gente jovem reunida. Almas. Há umas vezes que sinto meu corpo dizendo algo que se eu escutasse não suportaria. Por isso anoto tudo o que noto. Aqui estou eu. No terror de estar só. Representando no teatro da vida uma peça do destino pregado. A amizade flui feito água adentra, penetra por onde escorre melhor. O tempo todo se esvai, escava, e mesmo assim sublime eu gotejo do teto do mundo. Eu não estou tão só. Mas do que adianta jantar. Ao moço negar a juventude de se devorar. A dança da chuva cai feito uma luva nesse momento. E danço. Não ranço, nem canso. Mas do que me adianta essa tecnologia toda, se ela não volta. Ela quem retunde. Uma tunda. Uma duna. Minha dona sempre foi a poesia. Minha casa, minha asa. Minha caneta, minha pena, esse dedo que voa em pensamento e sentimento por toda a parte onde haja um viajante que logo ali adiante vai se acalmar. Onde a dor vá se aplacar. Apalpar vem o sal meu paladar. Rios em rugas recém formando. Minha face fácil, doce, reflete corajosamente na poça de minha fossa. A maior dor que sinto é minha amiga, minha musa. Está tão cansada quanto eu. E viaja, enquanto viajo. Quem poderá me defender se se não eu mesmo. Minha capa me capa. Não se reproduz a mesma velocidade que minha idade. É...chega uma hora que o resto é agora. Mas faz sol la fora. É...outra história vem se escrever, se apresentar para eu descrever. Um menino brinca na calçada. Grito. O chamo de bonito. Olho.  De longe parece eu mesmo. Não há ninguém lá, só aqui nessa casca que me descasca. Sinto um perfume que me fantasia. Aspiro ainda ser aquele menino. Em dúvida volto a janela, o menino não está mais lá. Passou. Tudo passa, como esse exato momento passará. Fecho a janela. Acendo a vela e saio caminhando pela escuridão. A verdade de que tudo passa me assusta. A vida em se debruça. Agora é a vida que me cuida. Paro. Penso estar ficando louco, mas não. Só mais um pouco deixo fluir. Dores. Cores. Flores. Amores. Fosse eu um espaço seria o sideral. Fosse eu uma música seria uma sinfonia de Bethoven. Vem som dizer que sou um com. Paro de escrever tudo numa tacada. Numa estocada. Sinto minha vontade de escrever esvaziada; Por enquanto como que por encanto fico de canto. Agora que vou ler tudo o que descrevi. E nada vou apagar. Tenho minhas contas a pagar. Se é que isso importa.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O meu é meu. O teu é teu. Mas somos nossos


Tenho um ânus
Que é só meu
Aquela rodela rosada é só minha
Como coisas boas e cago tudo
Mas agora
Querem tornar meu redondo
Objeto sexual
Querem-me comer de outro jeito
Nada feito
Por favor, comam minha poesia
E se alimentem bem
E caguem gostoso
Como eu
Sintam a massa passar pelo esfíncter
Que deliciosamente se abre para passar
Um creme marrom que de tão bom
Faz bem
O bem que sou

terça-feira, 28 de julho de 2015

Repórter Elo


Onde a boa vida é, em grande parte, uma questão de utilização do conhecimento. Adaptar-se as necessidades da sociedade, que está em constante transformação, exige versatilidade e estudos intensos. Isto tudo num estado de harmonia e equilíbrio.Para isto é preciso ler e experienciar o conhecimento. Englobando as necessidades, habilidades e vontades, conjuntamente com a meta de vida que se tem. E a meta comum a todo o cidadão é vencer financeiramente, mas a isto devemos, também, acrescentar a felicidade de ser útil ao crescimento de nossa sociedade. Este ensejo quer nos transferir a ideia de que devemos achar nossa missão de vida e assim, termos um confortável modo de viver. E para isto necessitamos criar um plano e o seguir. Mas para criarmos um plano de sucesso executável, é preciso muita leitura, observação e pesquisa. Juntando ao aprendizado os erros e acertos dos outros.Somos vítimas do sistema, se não percebermos nossas fraquezas e as corrigir. As pessoas de sucesso corrigiram seus pontos fracos, e os mais freqüentes, hoje em dia, são; os vícios, a preguiça, a falta de conhecimento, a inveja, o acomodamento e o hábito de gastar mais do que se ganha. Isto para citar só alguns.Olhe-se no espelho e descubra seus erros. Uma personalidade agradável obtém sucesso mais facilmente. A propósito, eu me olho no espelho e me pergunto; O que que é? Percebo minha face invocada e me respondo – Quero o melhor de mim. O leitor deve desafiar-se ao espelho. Vencer os próprios limites, é vencer de verdade. Trocar erros por acertos é a maior vitória.Ensinar é a melhor maneira de aprender o que se está estudando. Organizo os conhecimento que adquiro e o espalho. Talvez, para muitos, eu seja um paspalho, mas para mim não sou. O vocábulo educar vem do Latim "educo", que significa desenvolver-se de dentro para fora. Então educar significa ser autodidata, isto é, se ensinar, aprender sozinho por meio de leitura e experimentação. É claro que para ser um cirurgião, um engenheiro ou outra profissão que possa colocar em risco a vida de outras pessoas, é preciso um mestre, mas a maioria das coisas aprende-se autodidaticamente. Mas é preciso esforço e muita boa-vontade, além de um mínimo de afinidade com a atividade proposta. Este texto dá uma pausa para uma história. Era uma vez um político (marrom) que se casou com uma mídia (marrom), e os dois foram morar numa fazenda. Lá constituíram suas vidas. Certo dia, passeando pela floresta, encontraram um filhote de águia. Colocaram-no no galinheiro e o chamaram de "povo". Ali, no galinheiro, a águia chamada povo comia na mão do casal mídia e político. O povo foi crescendo, embora fosse uma águia se comportava como uma galinha. Depois de algum tempo, a fazenda recebeu a visita de um poeta, que enquanto passeava pela fazenda encontrou o povo. Chamou o casal, e disse - Este pássaro aí não é uma galinha, é uma águia. De fato – disseram o casal. Mas nós o criamos como se fosse uma galinha e ele transformou-se em galinha. E colocamos nele o singelo nome de povo.-Não - retrucou o poeta.- O povo é, e sempre será uma águia. Pois tem coração e mente de águia. Um dia entrará em conjunção com a sua missão, e estes dois órgãos irão lhe mostrar a grandiosidade da vida.-Não, não deixaremos – insistiram – O povo virou galinha, e jamais voltará a ser águia.Então decidiram fazer uma prova – O poeta tomou o povo, ergueu-o bem alto e com palavras animadoras num tom desafiante disse; - Já que você é de fato uma águia e não uma galinha, já que você pertence às coisas grandiosas da vida, não fique ciscando e comendo migalhas. Abra sua mente e seu coração, suas asas, e voe!O povo pousado no braço do poeta, olhou distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.Político e mídia comentaram:-Não dissemos, o povo virou uma simples galinha!-Não – Tornou a insistir o poeta – Ele é uma águia. E uma águia é sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o poeta subiu com o povo no teto de uma biblioteca. Sussurrou-lhe:-Águia, já que és uma águia, abra sua mente e coração, suas asas, e voe!O povo em cima daquele prédio da biblioteca, recheado de livros, sentiu a vibração que emana da palavra e ensaiou um vôo. – O casal se entreolhou e se movimentaram, jogaram ao chão uma quantidade maior de ração.- Quando o povo viu a maioria das galinhas ciscando no chão, desceu e foi para junto delas.– O casal ensaiou um desejo de desistir da prova. O poeta sorriu e voltou ao seu intento.- O casal despistando disse; não adianta, o povo virou galinha. E além do mais seria muito perigoso para ele voar alto, cair e se machucar. Ou até mesmo, se rebelar, fugir e se perder.- Não respondeu firmemente o poeta. Ele é águia, e quando chegar a recuperar o seu poder, ele vai saber o que fazer. Amanhã tentarei de novo.No dia seguinte, o poeta e o casal levantaram bem cedo. E foram para fora da fazenda, no alto de uma montanha. O sol nascia na vida de todos.O poeta ergueu o povo para o alto e disse:-Povo, já que és águia, abra sua mente e coração, suas asas, e voe!O povo olhou ao redor. Viu a imensidão do mundo. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o poeta segurou o povo firmemente, apontou o rosto do povo aonde o sol iluminava e lá estavam os livros que livram. O vasto horizonte abriu-se na mente e coração do povo. Nesse momento, ele encheu o peito e abriu suas potentes asas e com um grito de liberdade ergueu-se, soberano, dono de si mesmo. E começou a voar, a sentir o gosto e a responsabilidade que traz a liberdade. O vento e o invento de sua imaginação criaram um mundo novo O povo voou e voltou. Perdoou os erros seus e do casal. Assim criaram um mundo equilibradamente harmônico. Moral da história: não nos contentemos com os grãos que nos jogam, busquemos nossos ideais e vivamos plenamente. Quem não quer isto, que vivamos plenamente, na verdade, são os corporativistas. Os donos de grandes marcas. Faça da sua vida uma grande e fraterna aventura.Viu. É básico ser-se para viver plenamente.Transforme a informação em conhecimento utilizável, e com o tempo será a experiência necessária para saber guiar a sua vida para um destino de sucesso e realização pessoal em prol de tudo e todos. A benevolência e altruísmo ainda vão ser moda, antecipe-se.A liberdade de poder fazer tudo, nós leva a fazer nada. Não seja uma marionete do sistema, seja o que você sabe e aprende com sua curiosidade. O mais que humano em nós só sai por meio de uma lapidação de nosso caráter.
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Texto publicado em site Extemporâneo em outubro de 2005.

domingo, 26 de julho de 2015

Arte de Viver Opte



Havia um tempo em uma localidade que se criou um Jovem. Ele compartilhava conhecimentos com as Pessoas. A uma Pessoa que tinha os olhos infeccionados, Ele ensinava um preparado natural para passar nos olhos e pedia para que não passasse as mãos sujas nas vistas. Isso continha a infecção dos olhos de muitos. Para Aqueles que estavam com problemas de dor de barriga, diarreia, ou outro problema digestivo, Ele passava uma receita de alimentos integrais, e pedia para que lavasse muito bem os alimentos e as mãos antes de fazer as refeições. Algumas dessas Pessoas se curavam dessas enfermidades. Assim, com dicas de cuidados de saúde foi ajudando muitas Pessoas. E na área da cidadania explicava que era melhor que Todos se respeitassem, independente de sua classe social, cor, religião, partido político ou time de futebol. E dizia que não existia equilíbrio psicológico sem espiritualidade, fosse ela direcionada a algum culto religioso ou tão somente meditando e praticando bem em busca de algo maior.
Mas algumas pessoas não gostavam de suas conversas, preferiam viver uma vida mais bruta e sem grandes ideais humanos. Essas pessoas somente pensavam em coisas materiais, poder, desejos carnais e status. Ele era uma pessoa simples, não tinha grandes posses, e essas pessoas materialistas não acreditavam que alguém podia ser feliz com uma vida tão simples.
Certa vez Ele, que geralmente era uma pessoa calma e centrada teve uma discussão com alguns comerciantes da região. O assunto era banal. Mas esses comerciantes sentiram-se acuados, pois Ele pensava e tinha conversas com o Povo que poderiam os tirar da condição de rebanho, isto é de facilmente manipuláveis. E isso começou a preocupar, também, os políticos da região.
Naquela época havia um estranho modo de julgar as pessoas. Eram criados conversinhas, fofoquinhas, alimentadas com muita maldade e revolta. Porém, algumas pessoas após compreenderem que a vida não é somente comer, beber, excretar, transar e gastar, que tinham que estudar e ter uma grande vontade de crescer não somente materialmente, mas principalmente, como cidadão. E outras, em maioria, perceberam que iriam perder seus rebanhos facilmente manipuláveis, e que assim não seriam mais o destaque financeiro da região e não poderiam mais com suas ideias curtas comandar as necessidades e vontades dessa massa sofrida. Esses então pensaram em arranjar um jeito de se livrar Dele.

Mas como Ele correlacionou sua experiência com aquela que aconteceu há dois mil anos. Retirou-se e decidiu ser um exemplo, não um mártir. Começou a escrever para Viver. Dedicasse hoje tão somente a Arte de Viver.

E o tempo me diz

Enquanto o ponteiro das horas encaminha a noite para amanhecer
Eu continuo nessa selva a me embrenhar
Por uma sede vou buscar outra ceva
Servo sou do álcool
Mas não do doce da vida
E de fato não sei de nada
Se acaso saiba
Me diga
Ou tente
Talvez eu acredite
Está amanhecendo
Eu um traste
O sol lá no horizonte
Por de trás daquela gente
As pessoas boas vem de encontro

E não me levantam
Elas que sigam ao vento de suas palavras
Sou o que estou
E estou livre
Livre da noite 
Está amanhecendo
O sol paira no horizonte
Vai amanhecer
Não me tire a atenção
Aquele primeiro raio
Óu não
Distrai-me
Trai-me
Não vi o sol nascer
Mas vai
Mas vai de novo anoitecer
E vou me dar outra chance
Não importa a porta
Vou bater até abrir
E você comigo rir


Bato em mim até eu atender (entender)

1,2,3
Meia volta volver
Ando muito por ae
E o som que ouço é...
Uma música que diz
Vá ser
Um pintor
Cantor
Ator
Jogue essa dor em algo
Já que o alga não deu em nada

De relho dê nesse pessoa que me lê


Olho pela janela limpa
No reflexo do vidro me vejo
Medusa de galhos das árvores lá fora
Um Mr. Hyde num Dr. Jekill sou
O sol ensaia uma gota
E a chuva se esgota
Alguém de mim gosta?
A direção me aponta para a ponte
Uma fonte de inimigos saem para aplaudir
Minha face se faz de semáforo
Paro
Da vista dou-me um prazo

Saiam de minha vida por favor

Um bar cheio
E como eu sei
Um tio ri na porta
E ela ta torta
A pego jogo na cara do espelho
Estou ficando velho
Mas estou mais limpo
Mas a chuva continua
Limpando a imunda rua
Guardo meu velho espelho

Onde estou?

Nem sei onde estou
Se nesse quarto escuro que me escondo
Mas da rua não gosto mais
Só gente portando tão pouco
E por isso se matando

Cheio estou tão cheio

Que nem sei o valor
Resguardo com todo o meu amor
Sei que o texto está ficando longo
Mas já que está chovendo vou continuar
Largo
Quem não gosta da minha lábia
Saiba
Sou uma jóia preciosa
Tanto quanto qualquer um
Mas eu já sei
O que vim fazer
Então não me venha desviar
Meu semblante você vai ver quando deitar
E tentar dormir
Saberás que estou pensando em ti

sábado, 25 de julho de 2015

Filme