sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Não vá ler

 


      O dia se despede e leva minha lucidez

Abro as janelas dos meus olhos 

A noite volta, anota em mim a dor que me consome

Digo para mim mesmo claro que vou dormir não vou ficar mais uma noite em claro

Escrevendo o minhas vozes em açoite

Eu não sou essa dor, sou um ator 

Finjo essa dor tão bem que quase acredito

Até minha alma quase acredita que sou eu mesmo

Eu me olho dentro dos meus olhos, não me sinto eu mesmo

Não sei se estou entrando ou saindo de mim

As lágrimas que caem bebo-as a esmo

Irrigo minhas faces

Planto em mim um eu sou assim 

Mesmo não sendo me transformo, enfim

Sei que posso confundir você leitor

Mas minha mente quer mais criar questões do que as responder

De frente a mim está minha liberdade de não me prender a resolver tais

Estou

Eu sou

Da dor além dos ais

Muito mais do que salvar, vou salgar essa dor

Deixá-las intragáveis de sentir, de saborear

Por que gostamos tanto de sofrer?

Vejam nos filmes e nos livros

Ali somos criadores e ao invés de criarmos lindos eternos amores

Criamos mais dores

Amamos chorar na frente das telas

Por isto não quis fazer mais filmes

Pra mim não tem que ser assim

Morrer no fim

Escrevendo me desescravizando desencravando essas garras da rotina

Que insistem em imprimir o que fazer antes de morrer

Viver Vim Ver

Um dia alguém vai ler este texto e eu vou estar aqui

De tão intenso que eu sou ao escrever

O éter desde sempre planejou-me mostrar

Que podemos viver mais que a dor

Com nossa Alegria de Viver

De saber que a vida não acaba 

Ela continua nua a se mostrar

Como neste texto que você imaginar.

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