O dia se despede e leva minha lucidez
Abro as janelas dos meus olhos
A noite volta, anota em mim a dor que me consome
Digo para mim
mesmo claro que vou dormir não vou ficar mais uma noite em claro
Escrevendo o minhas vozes em açoite
Eu não sou essa dor, sou um ator
Finjo essa dor tão bem que quase acredito
Até minha
alma quase acredita que sou eu mesmo
Eu me olho
dentro dos meus olhos, não me sinto eu mesmo
Não sei se estou
entrando ou saindo de mim
As lágrimas
que caem bebo-as a esmo
Irrigo minhas
faces
Planto em mim um eu sou assim
Mesmo não sendo me transformo, enfim
Sei que posso
confundir você leitor
Mas minha
mente quer mais criar questões do que as responder
De frente a
mim está minha liberdade de não me prender a resolver tais
Estou
Eu sou
Da dor além dos
ais
Muito mais do
que salvar, vou salgar essa dor
Deixá-las intragáveis de sentir, de saborear
Por que gostamos tanto de sofrer?
Vejam nos filmes e nos livros
Ali somos criadores e ao invés de criarmos lindos eternos amores
Criamos mais dores
Amamos chorar na frente das telas
Por isto não quis fazer mais filmes
Pra mim não tem que ser assim
Morrer no fim
Escrevendo me
desescravizando desencravando essas garras da rotina
Que insistem
em imprimir o que fazer antes de morrer
Viver Vim Ver
Um dia alguém vai ler este texto e eu vou estar aqui
De tão intenso que eu sou ao escrever
O éter desde sempre planejou-me mostrar
Que podemos viver mais que a dor
Com nossa Alegria de Viver
De saber que a vida não acaba
Ela continua nua a se mostrar
Como neste texto que você imaginar.

